Em setembro de 2023, eu fiz algo que jamais imaginaria (há não ser nos meus pesadelos): desisti de ter uma carreira numa multinacional e de morar sozinha em um apartamento em São Paulo, resolvi voltar para a casa dos meus pais, em Itaquaquecetuba, quase no interior de São Paulo.
Assim como muitas jovens, cresci com a narrativa de que sucesso seria me mudar para capital e trabalhar em uma multinacional, e para ser justa, nunca consegui nem um estágio no Alto Tietê enquanto morava em Itaquá. Então, talvez por isso, eu costumasse pensar que o dia que eu voltasse para casa dos meus pais seria porque deu tudo errado.
Porém, após uma grande desilusão profissional com uma “empresa dos meus sonhos” e com a constatação de que eu jamais conseguiria pagar mensalidade, me sustentar e alugar um apartamento em São Paulo enquanto fosse assistente, decidi voltar para casa dos meus pais.
Coloquei na minha cabeça de que fracasso seria se eu não terminasse a pós-graduação na USP, e como eu já tinha assistido todas as aulas, foquei em fazer a melhor monografia que eu conseguisse.
A volta para casa
As primeiras semanas foram difíceis, e olha, que eu não tinha em um relacionamento ruim com os meus pais, pelo contrário. Mas não ter mais independência financeira, privacidade e uma cidade grande para explorar aos finais de semana foi difícil de encarar.
Ainda assim, eu voltei mais forte e disse pra mim mesma que não deixaria as pessoas me colocarem numa caixinha. Saí do armário e com o pé direito, continuei na terapia e aos 49 do segundo tempo (em dezembro) recebi uma proposta para ser analista de comunicação e marketing de uma grande empresa na cidade vizinha.
De vez em quando, eu ainda me pegava pensando que era um fracasso, porém, ter referências é muito importante, mesmo no fundo do poço. Ajudava muito lembrar que uma das minhas maiores referências como comunicadora e criadora de conteúdo, Karol Pinheiro, também voltou para casa dos pais dela por um tempo, e hoje mora em uma cobertura – um apartamento chiquérrimo que ELA COMPROU em São Paulo.
No vídeo abaixo, ela comenta sobre esse processo de sair de casa e voltar a morar com os pais.
Então, em março de 2024, eu defendi minha monografia para uma banca composta pelas minhas maiores referências em Relações Públicas. E apesar de todo o nervosismo, eu tirei 9,5!
Com o custo de vida mais acessível do Alto Tietê, sem precisar morar numa república e com todo o suporte dos meus pais, meus dias se tornaram bem menos estressantes. Eu comecei a conhecer os bares das cidades vizinhas e a fazer planos ainda mais doidos como comprar um carro ou apartamento.
Conselhos Finais
Enfim, eu queria dizer para você, querida leitora do blog, que às vezes recomeçar é o melhor que você pode fazer por si mesma, mas lembre-se: você não é mais a mesma que saiu de casa, e vai recomeçar com toda a força e experiência adquiridas durante o tempo fora.
E por fim, caso precise ler isso: VOCÊ NÃO É UM FRACASSO POR VOLTAR, só o fato de ter ido até lá já te faz o oposto disso.








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