Modo Silencioso

Às vezes, na verdade, em muitas delas, eu queria poder colocar o mundo ao meu redor no modo silencioso, assim como faço com as notificações do meu celular. Abaixar o volume dos outros para conseguir prestar atenção no que eu estou lendo, inclusive, foi assim que eu desenvolvi o hábito de ler ouvindo música, tentando abafar o som do trem lotado.

Eu não sou extrovertida, mas também não sou antisocial. Eu gosto de conversas profundas com amigos, de comunicação e marketing, jantares em casa e festas, e na mesma medida que amo música, gosto do silêncio, de conseguir escutar e entender o mundo de dentro. Sim, eu sou um paradoxo existencial, ou apenas, introvertida?

As pessoas que sempre tiveram a mania inconveniente de dizer que eu devia falar mais não ouvem o quanto eu penso, nem leem o que escrevo, aliás, eu falo muito, comigo mesma e com os meus amigos. Para todas essas pessoas eu só queria ter a coragem de dizer: “e você poderia falar menos, ou pelo menos, mais baixo”. Além disso, um conselho de comunicadora: falar mais não quer dizer que você fala bem.


Nos últimos anos, parece que todo mundo tem muito a dizer. É tudo tão alto… Desconhecidos falando em bom tom de suas vidas no trem, brigando no celular, assistindo vídeos curtos no volume mais alto, fazendo comentários desnecessários na internet. Será que eu sou a única que se incomoda com isso? Ou as pessoas realmente perderam o bom senso? Esses dias me peguei desejando fugir para a biblioteca mais próxima.


E é tudo tão supérfluo… Vídeos de segundos, textos curtos, influenciadores com a “retórica acelerada” que no fundo, nem têm muito há dizer, sequer sabem do que estão falando, mas são ouvidos por milhões. Não que eu não seja fútil, é só que sinto nasci mar, enquanto o mundo está cheio de piscinas artificiais. Eu preciso recuar para avançar, refletir a luz das coisas. Eu não caibo no concreto, nem me revisto de azulejos. Eu sou água com sal, areia e ressaca. Intensa demais para tempos rasos, profunda só pra quem mergulha.

Eu queria ouvir mais música, e menos conversas rasas, mais palavras que realmente significam algo, do que reflexões e críticas vazias. Eu queria ler mais livros de centenas de páginas e escrever sagas. Ver vídeos longos na velocidade normal. Tudo isso sem me sentir tão anacrônica ou ser interrompida. Deve ser por isso que me sinto tão bem quando chego em casa, porque no silêncio da solitude eu encontro a paz que falta no mundo lá fora.

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a Tuane!

Meus amigos me chamam de Tu, mas eu escrevo sob o pseudônimo Anne. Sou publicitária de seg a sex, escritora e leitora nas horas vagas. Seja bem-vindo ao meu refúgio na internet 😊

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