Eu estou cansada de sofrer por antecipação. De não falar sobre meus planos e conquistas como se algo ainda pudesse dar errado. Se bem que as notícias não ajudam muito… Parecia que estavámos vivendo o começo da terceira guerra mundial e depois, surgiu outro vírus mortal… E por Deus, eu estou farta de viver momentos históricos! A pandemia já me roubou meus primeiros vinte poucos anos. Aliás foi durante a quarentena, que a ansiedade generalizada chegou e nunca foi embora.
Eu só queria viver em paz, pelo menos dentro da minha própria cabeça. Mas dando asas para a minha ansiedade, se vamos todos morrer, talvez muito em breve, eu deveria só comprar minha passagem para Paris e viver o restinho da minha vida sem me preocupar com as contas, não?
Nos últimos dias tenho praticado o famoso “delusional” ou “delulu” e sendo feliz por antecipação. Planejando meu eurosummer com o salário em euro que eu ainda não recebo. E parando para pensar, todas as últimas vezes que eu sofri por antecipação, só me mostraram que não tinha motivo para isso, eu já sobrevivi a entrevistas em três línguas, e eu provavelmente, vou sobreviver as próximas, eu só não quero sentir que vou ter uma crise de ansiedade na véspera de cada momento importante.
A partir de agora, eu me permito comemorar cada conquista, contar com o ovo no cú da galinha, riscar os dias no meu planner. Vou executar o plano A, F e até o N de empréstimo na Nubank se precisar. Se for para sofrer, que seja depois e somente se realmente não der certo. Sinceramente, foda-se a minha ansiedade e foda-se o que os outros vão pensar e falar de mim se eu não for, nenhum deles teve a minha coragem de tentar. Eu não tenho literalmente nada a perder.
E se não for pedir muito, eu também queria não perder mais tempo sofrendo pelo que poderia ter sido, prefiro viver pela esperança de tudo, e acreditar que as coisas acontecem quando devem acontecer. Me absolvo da culpa e da decepção porque eu tentei. Mudo de destino levando na mala todas as tentativas, porque elas tornam a próxima mais fácil, mas nunca o peso do arrependimento de não ter tentado.







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