Um dia você vai ser velha o suficiente para olhar para época da escola com nostalgia. Para olhar para a adolescente que você foi com carinho e compreensão.

Um dia, por acaso, você vai ouvir Charlie Brown Júnior e lembrar que sempre tinha alguém tocando isso ou Legião Urbana no pátio da escola. Vai ouvir Jotaquest e lembrar que esse era o tema da Malhação que você amava. Vai perceber que os anos 2000/2010 são os novos anos 80. Vai até se pegar pensando que no seu tempo a música era melhor, igualzinho aos seus pais. E sentir falta de um tempo em que as pessoas sabiam dançar uma música inteira, e não só o trecho que viralizou no TikTok. E principalmente, de quando a sua Boyband preferida estava junta.

Era o fim de festa do meu aniversário, meu melhor amigo da escola me contava que vários dos nossos trabalhos da escola ainda estavam no youtube, e nós assistíamos no projetor ligado. Mas algo estava diferente: eu não ouvia minha voz com vergonha, nem com a autocrítica de sempre, apesar da minha dicção estar ainda melhor agora. As imagens me concediam a dádiva de lembrar que eramos brilhantes na época da escola, o grupo de alunos que todo mundo dizia que tinha futuro. E não é que tinha mesmo?

Fico pensando o que aquela garota diria sabendo que passou na USP e se formou num curso que ainda a permitia criar o tempo todo. Que finalmente escrevemos um livro. E moramos no centro da cidade. Ou que a pausa da One Direction nunca acabaria. O problema da nostalgia é que ela sempre me faz pensar que eu queria ter aproveitado mais, e tudo que posso fazer é viver o agora.

Pela primeira vez, eu olhei para quem eu fui com perdão e gratidão por ter acreditado em si mesma. Dez anos depois de ter me formado na escola, esse “um dia” se tornou hoje.

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Meus amigos me chamam de Tu, mas eu escrevo sob o pseudônimo Anne. Sou publicitária de seg a sex, escritora e leitora nas horas vagas. Seja bem-vindo ao meu refúgio na internet 😊

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