Blasé

Parece que a vida perde a maior parte do encanto após a morte de alguém importante para gente. Celular novo? Viagem internacional? Você sente que deveria comemorar, ficar feliz, mas parece estranho demais. O seu próprio aniversário, as datas comemorativas que você normalmente passaria em família viram lembranças sobre ausência que aquelas pessoas nunca mais vão estar lá.
Ah, e as memórias são o pior, quando você pensa que está indo bem, é assombrada por momentos em que você poderia ter ficado mais, falado alguma coisa. Isso quando você não lembra do momento exato da ligação em que você soube que tinham perdido ela.
A vida de quem continua vivo fica blasé após a morte, coisas que te fariam feliz já não causam o mesmo efeito, mesmo sobre o efeito de ansioliticos, parece que te resta apenas uma coleção de memórias póstumas. E de repente, enquanto toma banho, você se pergunta quais músicas deveriam tocar no seu velório. Talvez, até pense em deixar a playlist pronta no seu Spotify. A maldição de um publicitário é sempre ficar responsável por algum aspecto organização de todos os eventos da família, até mesmo os funerais.
A vida nos obriga a seguir em frente, quando tudo que a gente queria era ter ficado um pouco mais. Talvez, seja o saudosismo dos momentos bons um neurotransmissor que bloqueia o desejo de viver momentos novos, e que gere essa maldita confusão entre saber que deveria se sentir vivo e só conseguir se sentir blasé.

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a Tuane!

Meus amigos me chamam de Tu, mas eu escrevo sob o pseudônimo Anne. Sou publicitária de seg a sex, escritora e leitora nas horas vagas. Seja bem-vindo ao meu refúgio na internet 😊

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