Até o fim do ensino médio meus melhores amigos e crushes tinham a mesma idade que eu. Então, eu comecei a trabalhar como jovem aprendiz, e nem preciso dizer, né? Aí tanto meus colegas de trabalho quanto os meus crushes passaram a ser mais velhos. O que tinha lá suas vantagens e desvantagens. Meu primeiro chefe, que tinha literalmente o dobro da minha idade, me deu conselhos que me ajudaram inclusive a conquistar meu primeiro estágio,e ter trabalhado numa multinacional tão novinha me mostrou o que eu queria ser quando fosse mais velha: a gerente de comunicação ou marketing. Só tinha um problema: eu parecia mesmo uma aprendiz, até hoje às pessoas acham que eu sou mais nova do que realmente sou, e foi assim que eu comecei a usar roupa social, para parecer ter pelo menos a minha idade.

A empresa que eu trabalhava era de logística, por isso, tinha mais homens do que mulheres, era fácil se apaixonar, difícil era quando o crush não era da sua filial e você não sabia se o veria de novo. E sendo a mais nova da turma quem disse que eu tinha coragem de chegar no @? Mesmo que eu visse o crush olhando pra mim eu não falava nada. Anos depois, eu percebi que por ser a mais “nova” desenvolvi um complexo de inferioridade, pensava “nossa, mas, fulano é coordenador, imagina se ele ia querer alguma coisa comigo, eu ainda moro com os meus pais e nem terminei a faculdade”.

No segundo emprego, eu não tive um crush sequer. Mas pelo menos, tinha amizades, e um complexo diferente: achar que os meus colegas de trabalho eram muito melhores do que eu e que precisava estudar muito pra compensar minha falta de experiência. Detalhe: eu era a estagiária. Hoje eu sei o quanto eu fui injusta ao me comparar com pessoas que tinham anos de experiência a mais que eu.

Na faculdade, meus amigos eram mais velhos, embora em alguns casos a diferença fosse de um ano, eu quase sempre tinha a sensação de que estava atrasada na vida. Alguns já eram independentes e já trabalhavam na área. O que por um lado era bom porque eu sempre estava pensando como uma pessoa mais velha, em morar sozinha, aprender uma terceira língua, e eles tinham sempre bons conselhos para me dar, eram as referências que eu não tinha na cidade em que morava.

Esses dias mesmo ouvi dizer “nossa, você é tão madura pra sua idade” vindo de uma colega de trabalho e agradeci o elogio. Acho que o fato de ter sido a mais nova da turma pelos últimos cinco anos me fez mesmo amadurecer rápido.

Recém-formada, eu conquistei minha independência, me mudei para São Paulo, entrei na pós-graduação e eu gosto / tenho orgulho disso. É só que a gente precisa ter cuidado para não se comparar com os outros e não ficar criando complexos. Em vários momentos eu preciso falar pra mim: você só tem 22 anos, para de se comparar com a colega de classe que é casada ou com o colega que é coordenador, mesmo que vocês tivessem a mesma idade, a única comparação justa seria com quem você era.

Enfim, este texto é um lembrete para todas as pessoas que se encontram na mesma situação que eu, de que ser a mais nova da turma deveria fazer você se sentir foda e não uma fracassada. Mas que de vez em quando não faz mal agir como alguém da sua idade.

Deixe um comentário

a Tuane!

Meus amigos me chamam de Tu, mas eu escrevo sob o pseudônimo Anne. Sou publicitária de seg a sex, escritora e leitora nas horas vagas. Seja bem-vindo ao meu refúgio na internet 😊

Também estou no